Tolerância religiosa ou ecumenismo?

Texto de Johnny T. Bernardo
O ecumenismo é a palavra de ordem em nossos dias. Devemos esquecer as diferenças que nos separam e nos unir em uma grande congregação universal. Assim não há mais judeu, protestante, católico, muçulmano, budista ou espírita; todos são “iguais” e adoram o “mesmo” Deus. Até mesmo aquela que dizia ser a “única e verdadeira Igreja de Cristo”, agora deseja comungar com outras confissões de fé. Essa “revelação” passou a fazer parte da pauta da Igreja a partir do Concilio Vaticano II, quando os católicos foram instruídos a dialogar com outras religiões. A partir daí sucederam-se diversas reuniões ecumênicas no Vaticano e em diversas partes do mundo. Pousaram para fotos figuras não menos como Billy Graham, Dalai Lama, chefes da Igreja Ortodoxa russa e lideres da CMI (Conselho Mundial de Igrejas).
É comum ouvir ou ler hoje no Brasil sobre trabalhos ecumênicos feitos em “prol da sociedade” ou celebrações em igrejas católicas envolvendo protestantes históricos e demais lideranças religiosas do país. O mesmo acontece entre universidades batistas e adventistas. Alguém poderá perguntar: que mal há nisso? De certo não há nada de errado em dialogar com outras religiões, desde que tal diálogo não seja com o intuito de “mesclar” doutrinas ou passar ao sincretismo puro e simples. Jesus não ensinou que devemos nos afastar da sociedade, mas conviver com ela. Tal convivência, entretanto, não significa concordar com desvios doutrinários, mas usar a ocasião para testemunhar-lhes a mensagem do evangelho. O maior perigo é, obviamente, no dialogo inter-religioso, cair no erro da Nova Era e suas múltiplas faces no mundo. Somos totalmente contra todo tipo de descriminação religiosa, social, racial ou étnica; entretanto, usar tal pretexto para “universalizar” a fé é um erro que devemos evitar a todo custo.
Não há unidade entre católicos e evangélicos
É pura ilusão pensar que é possível haver “unidade” entre católicos e evangélicos. Os motivos são os mais diversos, desde a organização eclesiástica (papas, bispos, pastores) até a base doutrinária dos dois movimentos. Há uma pequena minoria de batistas que acreditem que sim, que é possível estabelecer um “laço” de comunhão com Roma; eles se esquecem, entretanto, o que foi dito na Segunda Confissão de Fé Batista Londrina (1677-1689), e que foi endossada ao longo dos anos por batistas ao redor do mundo. “O papa de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja; ele é o anticristo, o homem da iniqüidade e filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, como se fosse o próprio Deus. O Senhor Jesus o matará com o sopro de sua boca”. [1]
Segundo Gilson Santos, da parte do Vaticano nenhum passo consistente tem sido dado na direção da fé evangélica, desde a Reforma. Pelo contrário, novas doutrinas e práticas, igualmente antibiblicas, foram adicionadas ao credo católico-romano: incorporação dos livros apócrifos ao Cânon (1546); o dogma da Imaculada Conceição de Maria (1854); a doutrina da infabilidade papal (1950); o dogma da assunção de Maria (1950) etc. E o que dizer da idolatria mais vil e grosseira? No que diz respeito a sua espinha dorsal, Roma vem mantendo alguma consistência. Ela não mudou. O mesmo já não pode ser dito de algumas igrejas do mundo evangélico-protestante. Que os batistas e demais evangélicos aprendam, e nunca esqueçam – Roma, semper eadem (Roma, sempre a mesma). [2]
Referências Bibliográficas
1. SANTOS, G. Diálogo entre batistas e católicos, Teresópolis, Rio de Janeiro: citado por jornal Desafio das Seitas, 2º trimestre de 2009, ano XIII, número 50, pág. 11.
2. Ibidem, pág. 11.

Johnny T. Bernardo é colunista do Genizah.

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz1B3MkFlb6
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

Anúncios

Sobre Abner Phillip

Servo de Deus, marido, pai, designer, publicitário, blogueiro, músico e gerente de e-commerce nas horas vagas. Inconformado com o mundo, revoltado com o rumo que tem tomado a Igreja evangélica.

Publicado em 14/01/2011, em Cultura, Espiritual, Polêmica. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Odeio fanatismo

    Como sempre evangélicos tentando atacar os católicos usando argumentos antigos como adoração e blá blá blá… tenho pena deste pensamento mesquinho… antes de se falar sobre um assunto é necessário no mínimo ter conhecimento do mesmo… conhecer a doutrina… NINGUÉM adora santo, imagem ou Maria, apenas temos respeito e pedimos a intercessão dos mesmos, assim como vcs pedem ao pastor ou ao irmão para orar por vcs… vc nunca vai ver em uma celebração católica o padre atacando outras religiões como vcs fazem… eles usam o tempo e as pessoas que ali estão para falar de Deus!…. se vcs fizessem o mesmo talvez o mundo seria melhor, com mais união…mas ao invés disso, tentam atacar e conseguir seguidores através de destruição da igreja católica, do papa e sei lá quem for… isso pq? não são capazes de conseguir fiéis apenas falando do envagelho… foi isso q a sua igreja te ensinou? Colocar um contra os outros através de religão? HIPOCRESIA!

  2. Prezado, quando publico algum artigo aqui no blog, analiso e me aprofundo no assunto para saber se o tema está de acordo com a palavra de Deus. Nossa intenção não é atacar nem julgar ninguém, apenas constatamos os fatos com base na Bíblia. Se você ler os outros artigos verá que também questionamos algumas práticas ditas “evangélicas”.

    Como você mesmo diz, Maria e os santos merecem respeito e os cristãos protestantes os respeitam e os admiram, sim. Mas você também disse que na liturgia católica, os santos e Maria são “intercessores” e isso realmente não concordamos, e mais, vai contra o que a Bíblia diz.

    Leia os textos abaixo e confira em sua própria Bíblia, caso não acredite:
    “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (I João 2:1)
    “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (I Timóteo 2:5)

    A palavra de Deus também diz: “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29)

    Portanto, devemos observar e buscar mais conhecer nosso Deus e sua vontade. Isso não é fanatismo, mas sim dedicação. Seja razoável e reflita nisso!

    Fique na paz,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: