Disciplina ou punição?

Quando estamos na adolescência ou início da juventude, recebemos diversos rótulos na sociedade: Rebeldes, inconstantes, indisciplinados. Na igreja não é diferente, geralmente nossos deslizes com a bebida ou o sexo deixam o pastor e o diaconato de cabelo em pé (ou sem ele). Sempre tem um adolescente “no banco”, mas muitas vezes a disciplina não ocorre de maneira correta.

Justiça seja feita, atualmente o comportamento tem sido um pouco diferente, pelo menos na igreja que congrego, mas lembro com muita tristeza, e certo ressentimento, de uma ocasião quando tínhamos uma banda, isso há uns seis anos. Fomos convidados por um colega (ex-irmão de igreja) para tocar numa casa de rock underground. Não dissemos que sim nem que não, mas no dia do evento, sem que soubéssemos, lá estava o nome da banda nos cartazes do evento e no jornal da região.

Sem ao menos sermos indagados sobre a situação, houve uma reunião secreta entre o pastor e seus diáconos. Foram nomeados dois “espias” para nos flagrar em ato de delito observar. Como não estávamos naquela “sucursal do inferno” (aliás, a casa fechou sem nunca termos ido lá), no outro dia o pastor nos convocou para o interrogatório, junto com outro grupo de jovens que estavam (esses sim) frequentando uma boate. Revoltados com a injustiça, tentamos nos defender, sem êxito. Fomos literalmente esculachados, principalmente por um dos diáconos cujas filhas também estavam na reunião (mas o caso delas foi “abafado”).

Enfim, tudo isso serviu para que eu refletisse sobre a disciplina. Desde então, nunca mais votei a favor da exclusão de alguém e passei a ver as lideranças eclesiásticas com os olhos críticos de um sociólogo em formação. Hoje li o texto abaixo no Genizah. Foi escrito há alguns meses pelo do Rev. Antônio Carlos Costa e penso que deve ser seguido. A misericórdia ensinada por Cristo deve ter sempre prioridade.

A igreja deve saber disciplinar seus membros. Não é característica do amor verdadeiro, ver alguém tomando um caminho de morte, e permanecer calado. Isso não é graça, é falta de responsabilidade e conhecimento dos efeitos desastrosos do pecado para a vida humana.

O exercício da disciplina eclesiática é uma expressão de coerência moral e intelectual. Como pode a igreja, permitir que permaneçam impunes no seu seio, aqueles que levam o nome de Cristo e vivem ao mesmo tempo vida contrária a que o evangelho prescreve para os discípulos do Senhor Jesus? A igreja deve, portanto, disciplinar seus membros por amor a eles e por amor ao nome de Deus.

Contudo, a igreja deve ser sábia na administração de dever tão difícil de ser desempenhado pelo homem.

Todos somos propensos a carregar na dose, conforme se costuma dizer. Matamos mosquito com tiro de canhão. Acabamos esmagando a cana quebrada e apagando a torcida que fumega, ou seja, fazendo o oposto do que Cristo faz.

Os seres humanos, em geral, são bastante refratários à repreensão. Admoestar, requer muita habilidade por parte de quem o faz. Como disse Cristo: vai tirar o cisco do olho do seu irmão? cuide antes da trave que está no seu. Mexer com olhos requer grande sensibilidade, o que impõe a necessidade, para quem quer tocar em orgão tão sensível, de estar também enxergando bem.

Resumindo, é tarefa da igreja disciplinar. Cabe à comunidade da fé, entretanto, saber quem o fará (enxergar bem), qual o objetivo (restaurar a vista) e em que espírito (agir com tato). Evitando dois erros opostos: consolar quem precisa ser confrontado e confrontar quem precisa ser consolado.

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Sobre Abner Phillip

Servo de Deus, marido, pai, designer, publicitário, blogueiro, músico e gerente de e-commerce nas horas vagas. Inconformado com o mundo, revoltado com o rumo que tem tomado a Igreja evangélica.

Publicado em 10/11/2010, em Espiritual, Polêmica e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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